quinta-feira, setembro 14, 2006

Erótico#1 Num Mundo de ilusões





























SETE APONTAMENTOS NUMA SEMANA EM PARIS















Cada dia, um apontamento. E em cada apontamento, uma visão pessoal e singular. Uma semana de apontamentos que, no conjunto, nos trazem uma leitura muito especial e nos transportam para a Paris que não vem nos postais, mas onde, mesmo assim, conseguimos reconhecer sempre a cidade-luz. É impossível não reconhecê-la, até porque a lente não fugiu do símbolo parisiense. Mas a Torre Eiffel muda de enquadramento, subalterniza-se para dar lugar a outro estilo de vida, parecendo posicionar-se num ghetto norte-americano. Mas a cidade aparece sempre reenquadrada pelo olhar singular do fotógrafo. A Paris cosmopolita, que alberga muitas comunidades, entre as quais a chinesa; a Paris dos cafés e das portas abertas, das esquinas e dos cruzamentos; a Paris monumental, onde as peças de arte convivem com as esculturas vivas; a Paris do quotidiano e a Paris do futuro.

Luisa Pinto

domingo, setembro 10, 2006

QUARTO#1...um anjo ocasional












































Enquanto Estamos Acordados






















Trabalho constítuido por 6 dípticos

é sempre irracional? Que todos os homens precisam de sonhar, mesmo que saibam que os sonhos são apenas isso, sonhos?”

“Quantas vezes os sonhos se desfaziam entre os dedos precisamente quando pareciam ao alcance da mão?”

José Manuel Fajardo, in “Demónios à minha porta”



“Enquanto estamos acordados”, fotografias de Paulo Pimenta

Viajo pela cidade entrando numa rotina diária, fazendo percursos sem destino e encontrando seres abandonados, deitados no chão, num sono profundo. Cobertos por jornais, cobertores e caixas de cartão. Lá estão eles a dormir mais uma vez durante o dia. Vou viajando pela cidade, encontrando estas criaturas desligadas do mundo enquanto a cidade permanece sempre acordada. Carros a apitar, crianças a gritar, transeuntes a falar ao telemóvel, absorvidos pelos seus inadiáveis compromissos. Chuva, sol, vento e frio. E eles continuam a repousar sobre o mais duro dos leitos, num sono tão profundo que me leva a imaginar o que sonham. Mas será que sonham?


O projecto consiste num conjunto de 12 imagens a cores com formato de 20 x 30, das quais seis retratam mendigos dispersos no espaço urbano e as restantes mostram seis dormitórios. Trata-se de quartos pertencentes a amigos do autor, sendo que uns evocam a ideia de organização, com as camas arrumadas, e outros sugerem exactamente o contrário. Preside ao conceito global deste trabalho o confronto permanente entre a ideia de desconforto, provocado no espectador pelos corpos deitados na rua, e a ideia de acolhimento entre as quatro paredes do lar.