quinta-feira, abril 16, 2009

# Mais braço, menos braço - 5 #

A dor é insuportável. Junto-me ao meu anjo.




























quarta-feira, abril 15, 2009

# EXPOSIÇÃO NA FLUP #




A A3S - Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Sector e o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), promovem, durante o mês de Abril, a terceira edição da iniciativa "O Mês do Terceiro Sector". Dirigido a profissionais e voluntários de organizações da economia social / terceiro sector, bem como a estudantes, licenciados, investigadores, entre outros interessados, vai realizar-se nos dias 17, 23 e 27 de Abril um conjunto de sessões de reflexão e debate que procuram antecipar o Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social em 2010 e promover a reflexão sobre a Pobreza e a Exclusão Social perspectivadas na sua relação com o Terceiro Sector, tendo em conta diferentes esferas de abordagem: a Economia Solidária, os Direitos Humanos e a Educação. Paralelamente às sessões, inaugura-se no dia 17 de Abril às 20h30, na biblioteca da FLUP, uma exposição fotográfica de Paulo Pimenta intitulada "Enquanto Estamos Acordados". A exposição poderá ser vista entre as 08.30 até 20.30 de Segunda-Feira a Sexta-feira e Sábado das 09.00 até 13h na BIBLIOTECA CENTRAL FACULDADE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO ATÉ AO DIA 15 MAIO

# PERCURSO #















“Quando morrer, atira as minhas cinzas sobre o Bósforo”, costumavas dizer nas noites em que a fome dos corpos ia adiando o sono até a primeira luz romper a persiana branca do quarto. E rias, com aquele riso claro que te acontecia sempre que ficávamos assim, com tempo para sentir o tempo passar-nos pelo corpo: quente/frio, claro/escuro.
Os dois esquecidos dos outros na geografia dos lugares onde nos habituamos a vagabundear o ócio dos sábados: a circunavegação de bicicleta, a árvore onde marcámos a giz branco um hieróglifo que só nós conseguíamos decifrar, os ziguezagues pela neve onde desenhávamos os mapa-múndis que, por vezes, nos acompanhavam no revolutear dos lençóis nas noites em que a fome dos corpos ia adiando o sono até a primeira luz romper a persiana branca do quarto. “Quando morrer, atira as minhas cinzas sobre o Bósforo”, recordo-me de te ouvir rir.




















































Mas isso era numa altura em que nos imaginávamos envelhecidos e juntos e gostávamos de brincar com a ideia de nós, a uma lareira de inverno, a tricotar exasperações e ternuras seculares: quente/frio, claro/escuro.
Hoje, meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada, a não ser este papel rasgado com o poema do Eugénio que copiaste à mão de um livro que não chegamos a comprar e que depois entoámos tantas vezes porque nos sentíamos, de facto, “no tempo dos segredos” imunes a esperas inúteis e como se todas as coisas fossem nossas, gritado assim, marcando cada sílaba co-mo-se-to-das-as-coi-sas-fo-ssem-no-ssas.
O que ficou desses dias foi a minha visão embotada dos lugares de antigamente. E eu que pensava ter esgotado o rio das lágrimas dou por mim a vagabundear o ócio dos sábados que já não é ócio é desespero que dói como sal em ferida aberta porque tu não estás e não te deste sequer ao trabalho de deixar cinzas que pudesse atirar ao Bósforo e a mim com elas porque o que me resta é este cenário de luzes que não são luzes mas sugestões alienígenas num jardim com árvores que não têm folhas mas a sugestão de algodão e neve que já não é neve mas resquícios avaros do nosso antigo delírio branco. Voltamos ao princípio?
Natália Faria

quinta-feira, abril 09, 2009

# Mais braço, menos braço - 4 #

O envelope com o meu nome foi atirado para cima da secretária às 16h37. Estava a escrever uma notícia importante, mas o choque foi tão violento (e tão físico, como num acidente de automóvel em excesso de velocidade) que nunca mais soube dizer qual era o assunto. Antes das 16h37 a Valéria ainda podia estar viva. Depois das 16h37 a Valéria está morta. Por partes: os braços num viaduto da grande circular que esgana a cidade, a cabeça em cima de uma árvore, o corpo no meio da vegetação que um dia vai arder, porque aqui nada sobrevive ao Verão para contar como foi. Pediram-me primeiro uma notícia, depois um obituário, acabei a ditar estas linhas pelo telefone, acho que são mil caracteres, depois de ligar à polícia a pedir-lhe para por favor tomar conta desta ocorrência, porque eu já não consigo tomar conta de nada, nem sequer do número de caracteres do layout da página 5. Amanhã a primeira página do jornal vai dizer que a Valéria foi assassinada por um animal com uma máquina fotográfica.  Acabei por não escrever nada na página 5 a não ser isto: nas minhas notícias, em todas as notícias que escrevi sobre a Valéria (porque a Valéria era uma das últimas actrizes sobre as quais valia a pena escrever, e no fim eu dava cinco estrelas ao filme, todas para ela, e não fazia mais do que a minha obrigação), ela ainda estava viva. É verdade que morreu, mas isso foi nas notícias dos outros.




domingo, abril 05, 2009

# ASSIM FOSSEM AS GUERRAS NO MUNDO #






















Porto 03 Abril 2009 Avenida dos Aliados






GUERRA DAS ALMOFADAS

quinta-feira, abril 02, 2009

# Mais braço, menos braço - 3 #

Lembro-me que estava na praia e de um momento para outro perdi os sentidos. Não sei onde estou. A última mensagem de Valéria. Estas foram as últimas fotos da actriz durante a rodagem de "O Rapto". Quem souber do paradeiro é favor comentar. Aqui e aqui







quinta-feira, março 26, 2009

# Mais braço, menos braço 2 #

Soube da notícia do desaparecimento. A noite foi demasiado longa, mas o dia está a nascer. Tenho esperança que volte. Outra vez desanimada, desnorteada.





quinta-feira, março 19, 2009

# AINDA EXISTEM MUROS NAS CIDADES #


# IR E NÃO VOLTAR... #




“Os adormecidos e os mortos são apenas como quadros”,disse o nosso Shakespeare, e eu às vezes penso que as pessoas todas são só isso, quadros , adormecidos presentes e futuros mortos.
Pag.75
JAVIER MARÍAS
CORAÇÃO TÃO BRANCO

# Exposição #




“Quando sonhas em voar não tens peso, não tens de convencer a força a manter-te no ar. Mas quando chegam as asas e o corpo tem de se aprontar a sair pelos ares, então é preciso violência para te erguer da terra, um salto como uma faca que te deve arrancar ao chão como um corte.”
MONTEDIDIO Erri De Luca





PORTO - 20 março - 22h - INAUGURAÇÃO
Nova Embaixada Lomográfica do Porto
Rua do Almada 275 . 4050-034 Porto

Detrich Collection" é uma mostra dos vários modelos e cópias da câmara Diana desde o modelo original até ao que ela se transformou hoje em dia. São cerca de 60 câmaras em exposição.
A exposição "Diana Vignettes", é composta por treze câmaras lomográficas modelo Diana + costumizadas por treze artistas portugueses. Ao lado de cada câmara apresentaremos uma imagem tirada por esse artista acompanhada de um pequeno relato sobre a imagem.
Os artistas participantes são:
Marco Sousa Santos
Manuel Amaral Netto
Joana Bertholo
Jordi Burch
Isaque Pinheiro
Márcio Barcelos
Marta Campos
Ricardo Galésio
Teresa Amaral
Soraya Vasconcelos
Paulo Pimenta
Nuno Coelho
Vivóeusébio

A exposição decorrerá de 20 a 30 de Março 2009 na nossa Embaixada Lomográfica do Porto (onde temos um novo espaço com uma galeria de +- 200m2) e em Lisboa será apresentada de dia 3 a 23 de Abril na Galeria Bairro Alto em Lisboa.

terça-feira, março 17, 2009

# Mais braço, menos braço #

Estava estendido e era como uma pétala, suave e infalível. A palma calma e delicada deixava apoiar a coronha de plástico azul transparente. Os dedos finos firmavam. Não eram daqueles que assinam a sentença sem pedir licença. They used to call me tricky arm. They used to call me. Retomamos as buscas?




sábado, fevereiro 28, 2009

# " Despedido num minuto e meio - dois minutos, vá lá" #

Será que os HOMENS do Poder só estão a olhar para um lado???
Será que um dia destes os Homens no Poder vão deixar de existir e PASSAM à insignificância, a uma recordação do mal que fizeram aos outros?
Será que esse dia demora?
Um dia destes também os Homens no Poder irão Morrer e deixar de EXISTIR...
QUE VENHA ESSE DIA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL...

























“E agora?
Como digo aos meus filhos para serem trabalhadores leais,para viverem para a empresa?Isto é tão humilhante,tão revoltante!”

“Um dia, Alfredo Mendes acordou ,tinha 53 anos ,e estava desempregado.”

“Vou receber uma indeminização que não vale um carro de administrador.Trinta anos de dedicação não dão para comprar um carro de administrador!”
P2 Jornal Público, excertos da reportagem Ana Cristina Pereira sobre Despedimento de Alfredo Mendes Jornalista do Diário de Noticias
Publicado Quinta-Feira 26 de Fevereiro 2009 pag. 4 e 5


A crise financeira poderá levar a um aumento em 20 milhões do número de desempregados no mundo inteiro até ao final de 2009, alertou hoje o director da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia. As estimativas da OIT indicam que “o número de desempregados pode passar de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009″, disse Somavia numa conferência de imprensa, em Genebra. A população de trabalhadores pobres vivendo com menos de um dólar por dia pode aumentar em 40 milhões e a dos que vivem com dois dólares por dia em mais de 100 milhões, acrescenta a OIT. Juan Somavia disse que as projecções “podem pecar por defeito se os efeitos do actual abrandamento do crescimento económico e da ameaça de recessão não forem rapidamente combatidos”. MRA Dep. Data Mining
Noticia retirada do sitio http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

# É SIMPLESMENTE UMA PINTURA... #

Será que na cidade de Braga ainda estamos na SANTA INQUISIÇÃO???
Cidadãos chocados com a imagem de um célebre nu artístico nas capas,vários exemplares de um livro foram anteontem apreendidos pela psp de BRAGA, numa feira de livros a preços de saldo,que decorre no centro da cidade.
A imagem reproduzida respeita a uma obra do pintor oitocentista francês Gustave Coubert (1819-1877) considerado o fundador do realismo na pintura.



















Óleo sobre tela; (46x55), Musée D'Orsay, Paris, França.Gustave Courbet (1819-1877) L'origine du monde (A origem do mundo),