sábado, agosto 14, 2010

Crise - Mudam-se os temp(l)os, multiplicam-se os ícones...

A iconografia religiosa sempre suscitou mistérios ao homem, dito de outra forma, espelhou esses mistérios, paradoxalmente sem os desvendar. Para um ‘católico não praticante’, ou melhor, para dois, o agente do texto e o das imagens, com o que essa condição possa consubstanciar, a denominação põe-se mesmo a jeito para a analogia com o desporto, traduz-se portanto em algo como não ir aos treinos e não ser convocado para os jogos, mas continuar a acreditar na equipa. A proliferação das imagens de Nossa Senhora de Fátima nos mais diversos lugares encerra o devoto desejo da resolução dos problemas, um depósito a crédito bonificado na renovação da esperança perdida. Tratar-se-á de um inequívoco negócio a venda das imagens da virgem de nome árabe? Sem dúvida. É verdade que na actualidade a Fé move a Finança, mas o que são hoje, à laia de exemplo, as imagens de Che Guevara em oferta desbaratada, senão a mais terrível das contradições: a de um mito revolucionário, cuja luta anti-capitalista o universalizou, e que agora o tornou num dos símbolos de maior facturação tendo por base um ícone?

Teriam ‘Che’, o Profeta, ou Cristo, o Revolucionário (sim, é mesmo assim, sem direito a vice-versa) de acabar estampados em t-shirts?! Teria Nossa Senhora de Fátima querido o milagre da multiplicação das imagens? E quem nos garante a nós, supostamente os mais cultos e informados, que uma imagem-objecto, um artefacto da Mãe de Jesus, em regime mais fluorescente ou mais opaco, não é o melhor dos elixires psicológicos em tempo de crise para quem nisso acredita? De ópio não percebo nada, mas gosto de um bom tónico.
João Fernando Arezes
Fotos:Paulo Pimenta
1
2
3
4
5
6
7
#PP_JOANA_4 120310

quarta-feira, agosto 11, 2010

#Compreender tudo #

“É a linguagem que nos torna humanos, que nos distingue dos animais, por um lado, e das máquinas, por outro, que faz de nós seres com cosciência própria, capazes de criar obras de arte, ciência e o todo da civização.É a chave que nos permite compreender tudo”
David Lodge
A vida em surdina
#PP_LUZ_SOMBRA

sexta-feira, julho 09, 2010

# Comer Lixo #

1
2
3
4
5
#PP_BATALHA_08
7
Pára! Põe a máquina dos sentidos. Engrena-a. Liga-a. Upload. Ouves o chiar intermitente que passa na avenida? As mãos dele agarradas ao ferro quente da carroça rola-asfalto, já com quilos de papelão à luz do pôr-do-sol? Vês aqueles músculos invejáveis do dorso nu, queimado de poluição, raios UV, e tempo? Costuma molhar esses caixotes amassados para ganhar mais dinheiro, quando o vende para reciclar. Ficam mais pesados, nunca tanto quanto os seus olhos olheirentos, sulcados de noites em vigília de fome e medo. Quantos quilos de arroz pode pagar um quilo de papelão?
E, agora, sentes este cheiro azedo a esgoto? Vês os pés descalços que mal começaram a calejar vida já esfoliados dos passeios onde comem o que lhes dão? (Se lhes dão. Será que querem? Haverá vergonha? Qual é a intensidade da vergonha do despojamento forçado?, conta-me máquina).
Próximo nível: vejo bidões de fragmentos de nós. Quanto pesa a ostenção? Vejo eco-pontos do que resta. Gente sempre apressada, a rotação-formiga. Restos, só restos. Vês a explosão, as cores garridas, a sofreguidão, a vertigem, o ar-falta-ar, os ponteiros e rotação, a terra em transe? Arde-arde. O desvario. Há restos, tantos restos. Fragmentos de nós. O cheiro, a cidade, o ar. Os pedaços de nós. Delete: erro no sistema. Informamos que atingiu a dimensão do real. Este nível não pode apagar.
Vanessa Rodrigues

Inauguração Exposição

Abertura da exposição de fotografia e lançamento do catálogo das reportagens vencedoras do Prémio de Fotojornalismo 2010 Estação Imagem / Mora
Dia 10 Julho , pelas 16h30, no Pavilhão Municipal de Exposição de Mora

#PP_LINHA_SABOR_04
#PP_LINHA_SABOR_01

Paulo Pimenta
Ricardo Meireles
Nelson Garrido
João Carvalho Pina
Nacho Doce
Nelson D`Aires
Guillaume Pazat
Nuno André Ferreira
Gonçalo Rosa da Silva
Jorge Monteiro

domingo, junho 20, 2010

# " No dia seguinte ninguém morreu " #

OBRIGADO JOSÉ SARAMAGO

PP_SARAMAGO
“Ele adormeceu, ela não.Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se tivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha , acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira , ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir.Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama , abraçou-se ao homeme , sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia , sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”
JOSÉ SARAMAGO
As Intermitências da Morte
PP_SARAMAGO3_300304.jpg
"O erro é crer que a culpa terá de ser entendida da mesma maneira por deus e pelos homens, disse um dos anjos,"
JOSÉ SARAMAGO
CAIM

sexta-feira, junho 11, 2010

# Mais braço, menos braço - 10 #

Porque insistem em falar-me da Nikita? Já disse que não tenho mais nada a dizer sobre ela. Se a vi? Vi, vejo-a muitas vezes, mas não pensem que é por isso que vos direi onde ela está. Façam de conta que morreu. É isso que ela me costuma dizer, quando lhe falo do vosso interesse. "Diz-lhes que façam de conta que morri", tal qual. Desapareceu porque quis, não foi raptada, ninguém a forçou. Cansou-se. Vocês nunca se cansam? Ela cansou-se e acho mesmo que nunca mais a verão. Ou talvez me engane, quem sabe? O que conta é que não vale a pena insistirem. Ela quer que a deixem em paz. Se algum dia mudar de ideias, ela próprio vos dirá. E, agora, vá. O meu nome é Nina. Querem saber de mim? Porque da Nikita não volto a falar.
Tatiana Irianova
A Nikita foi vista pela última vez a 13 Maio em Fátima
http://paulopimenta.blogspot.com/2009_05_01_archive.html

A1
A3
A4
A2

A6

quarta-feira, junho 09, 2010

# Lx 3 dias #

É a minha cidade, e não sei se é a minha cidade. Homens dobrados, embrulhados em panos, encapuçados como na Idade Média. Preto-e-branco, sim, tens toda a razão. Esta cidade é a preto-e-branco: onde foi que a perdemos?
No pátio dos antigos inquisidores, as placas pedem desculpa por há 500 anos, e aqueles que estão vivos agora sentam-se a olhar para nada e ninguém os vê. Africanos no pátio, nas escadas de pedra, nas escadas rolantes, no banco de metro com um cartaz por cima a dizer Soul. Muçulmanos de barretinho e túnica que à sexta se curvam em vãos-de-escada ali para trás, Rua de São José, Martim Moniz, Mouraria. E na colina o castelo de mentira, com as suas bandeiras mata-mouros, tão airoso. E cá em baixo o triunfo da banca, a hipoteca, a bancarrota, nós mesmos, com pedrinhas de calçada, calçadinha, e bancos de pedra design. Que alguém durma, pelo menos. Venha o sono e acordemos noutro lugar.
Ruínas e portas entaipadas, braços fechados a quem chega. Mas não nos lembramos de quem somos, não nos lembramos de quando partimos, Paris, Newark, Caracas, o mundo?
Um gato ao sol, afortunado, seja.
Alexandra Lucas Coelho jornalista do Jornal Público

1
2
3
4

# uma fraqueza maior #

1
2
3
4
5
6
7
8
“duas fraquezas não fazem uma fraqueza maior,fazem uma força nova , provavelmente não é assim nem nunca foi, mas há ocasiões em que conviria que o fosse,”
A CAVERNA
José Saramago

# morrerá do riso #

Porto, 08 Junho 2010
p1
p2
p3
“Este mundo não morrerá de uma bomba atómica, como dizem os jornais, morrerá de riso,de banalidade, fazendo uma piada de tudo, e aliás uma piada sem graça.”

A SOMBRA DO VENTO
Carlos Ruiz Zafón

segunda-feira, junho 07, 2010

# Regresso a Custóias #

Existem momentos Mágicos e pessoas Mágicas que conseguem criar coisas com utilidade para o ser Humano.
Espectáculo do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira 26 de Maio no Estabelecimento Prisional do Porto, em Custóias, às 21h00

01
02
03
04
05
06
07
08