quinta-feira, agosto 04, 2011

# Dentro para Fora #

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Como se fosse sábado ou uma maravilha semelhante, fizemos as malas. Guardámos o que sobrava da praça deserta e fechámos as janelas. Havia um silêncio redondo de verão e até os insectos pareciam abafar a existência no calor.
Não fosse a pressa e poderíamos ter-nos suspendido, ficando a dormir por dentro da tarde, sobre o tarde que se faria. Talvez o amor uma última vez, mais uma vez. Mas tínhamos de ir, tinha de ser, tínhamos de ser. E fomos.
Assim atravessámos corredores e canais de tantos dias: são as marés do sangue, que nos chegam perto mas não acorrem a molhar-nos. E ao chegarmos perto, a língua era já diferente, feita de mais silêncios e consoantes ásperas. As palavras quase todas mais curtas, atiradas de um sopro e interrompidas de forma seca como objectos mal acabados, deixando algumas vogais, subtis, a insinuar-se no coração das frases. O bastante enfim para despertar a ternura.
Por isso partimos de novo.
Foi um tiro, dizem, mas não é verdade: foi um golpe de luz que nos moldou a pele ao nada, uma espécie de pensamento muito forte mesmo antes do fim.

Nuno Casimiro

#Chegada#

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#pp_chegada_04

domingo, julho 31, 2011

# Portugal Portugal por onde vais? #

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“E quase todos flagelam o país, como se as causas da nossa crise financeira não fossem sistémicas e , portanto, em parte, estranhas à nossa acção, por mais desastrada que tenha sido.
A autoflagelação é a má conciência da passividade, e não é fácil superá-la num contexto em que a passividade, quando não é querida, é imposta .Estamos a ser agidos.Nosso é apenas um nome em nome do qual outros agem para bem que só é nosso se for também deles.”
Boaventura de Sousa Santos
Portugal
ENSAIO CONTRA A AUTOFLAGELAÇÃO

sexta-feira, julho 29, 2011

# Marilyn Marilyn #

"Mulheres comportadas, raramente fazem historia"
Marilyn Monroe
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terça-feira, julho 19, 2011

# SILO #

Continuação do projecto "Enquanto Estamos Acordados"
Cidade do Porto, 18 Julho 2011
#PP_SILO_01
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#PP_SILO_03

quarta-feira, julho 13, 2011

#Os Agentes#

“Os agentes do medo estão no terreno e falam várias línguas, inclusive a nossa, mas o discurso do terror pouco varia. Somos cidadãos precário antes e depois de sermo trabalhadores precários.Se outros passam por dificuldades semelhantes, as causas das dificuldades por que passamos não podem estar exclusivamente em nós. Apesar disso, como se lerá adiante, não é de agora que Portugal é um alvo fácil de críticas fáceis.
A aceleração do momento faz-nos esquecer que as decisões urgentes dificilmente são grandes decisões. Discutimos o projecto da casa ou apenas a cor dos azulejos da cozinha?
Estamos a assistir a uma destruição ou uma construção?E discutimos com quem?Com bombeiros ou com construtores civis?Dicutimos entre nós e com outros ou discutimos entre nós enquanto outros discutem sobre nós? Discutimos entre nós a cor dos azulejos
enquanto outros discutem o projecto da nossa casa? E a casa será habitável?”
Boaventura de Sousa Santos
Portugal
Ensaio contra a autoflagelação
#PP_FMI_03