domingo, março 04, 2012

# Exposição Histórias Fora De Palco#

Data da Inauguração: 27 de Março de 2012 (Dia Mundial do Teatro) - Fim da exposição neste espaço a 15 de Abril
Local: Av. Álvares Cabral,19 1250-015 Lisboa
Nota de Exposição: Se é a vida a materia prima previligiada para a criação de um objecto artisitico, escolhemos então deixar o Teatro à porta, e convidar todos aqueles que ao longo destes 25 anos nos têm acompanhado, a visitarem o interior de cada um de nós, os nossos espaços, os nossos caminhos, as nossas espectativas e desejos... A visitar tudo aquilo, que um dia será Teatro.
E é pelo olhar sensivel do amigo Paulo Pimenta, que essa visita será feita. Pelo olhar de alguém que se premitiu nos ultimos anos viver ao nosso lado.
Boa viagem
Crinabel Teatro 2012

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segunda-feira, fevereiro 20, 2012

# Exposição #

Exposição de fotografia de Paulo Pimenta “Graffiti no silêncio”

O graffiti, os espaços urbanos, as pessoas... Intervenções e criações urbanas que se cruzam e relacionam, num diálogo que acontece no silêncio.


São impressões digitais — são mais do que impressões digitais. Já lá estavam antes de nós invadirmos o seu espaço, antes de a erva crescer. É arte fossilizada, desvalorizada, perseguida. Acontece quando menos estamos à espera. E esfuma-se à velocidade de um truque de ilusionismo. É arrojada e dissimulada. Foi pensada de propósito para aquele muro. Persegue-nos como um fantasma que não tem um sono descansado. Entre o silêncio, as fotografias do Paulo Pimenta têm algo a dizer. São subtilezas como o graffiti, uma erva daninha que aprendemos a conhecer.
Kitato

Dedicated, Rua de Cedofeita, 654 - Porto
Inauguração no dia 25 de Fevereiro, pelas 15h00

Contactos:
rafi@dedicated-store.com
jpaulopimenta@gmail.com

www.dedicated-store.com
www.paulopimenta.blogspot.com

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quarta-feira, fevereiro 15, 2012

# Elas #

#pp_elas
Espera longa ou descanso premeditado? Alinhadas desafiam a assimetria da calçada e pintam de cor o mosaico cinzento. Valeu a pena a espera ou o amortizar do cansaço? Questiono-me, mas elas não querem saber. Limitam-se a virar as costas ao abismo e a negar qualquer atenção. Não consigo ver os rostos, mas imagino que estejam a sorrir e a falar baixinho. Mulheres que aliam emoções a um sonho de menina. Almejam a vida de quem passa. Contornam o estigma ditado pelo império social. Resta-lhes o orgulho. Sentem frio e mal se movem. Pouco revelam. Não esquecem que, todos os dias, também alguém lhes vira as costas.
Marília Moura

terça-feira, janeiro 31, 2012

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Zona



Zona. Levantamento fotográfico em torno da Av. Rodrigues de Freitas - Porto, no âmbito do projeto de comemoração do Dia Internacional da Dança. Núcleo de Experimentação Coreográfica. Janeiro de 2012

sábado, janeiro 14, 2012

#Não Vou Por Aí #

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Cântico Negro
José Régio
#pp_nao_03
#pp_nao_01
#pp_nao_02

sexta-feira, janeiro 06, 2012

# A vida a despedir-nos #

“Até amanhã. É interessante como levamos todos os dias da vida a despedir-nos, dizendo e ouvindo dizer até amanhã, e , fatalmente, em um desses dias, o que foi último para alguém, ou já não está aquele a quem o dissemos, ou já não estamos nós que o tínhamos dito.”
José Saramago
Ensaio sobre a Lucidez
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quarta-feira, janeiro 04, 2012

# Série nº15 Memória #

Debris: é o que os ingleses chamam aos escombros, destroços, entulhos que restam depois da implosão. Eles dizem melhor numa palavra aquilo que nós explicamos em muitas: fragmentos jogados ao acaso pela força da destruição.
É uma palavra de origem francesa – o dicionário diz que foi no século XVIII que chegou ao inglês, atravessando o canal, de barco, a nado, talvez, a palavra na mão qual lusíadas náufragos, dando à costa (debris) como se fosse memória de um verso maior. Apenas a proa, ou a popa, memória de um barco, ou simplesmente o mastro (debris) de uma bandeira pronta a ser queimada em noite de revolução.
Se a terra é memória do homem, a escama é memória do peixe que não sabia se havia de fugir, ou morder o anzol. Enforcado, libertou-se, sangue na guelra finalmente escachada sobre o seixo de praia.
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Mas a praia não é só areia, ainda que cedo tenha aprendido a escolher emocionalmente entre elas. Eram todas diferentes:
a de Sines era muito muito fina e tinha linhas escuras que compunham quase-corações de Viana. Esse lado escuro da areia vinha das rochas do paredão (eu dizia padrão, por lapso, mas hoje sei que estava certa: porque as rochas do porto se encaixavam como num puzzle);
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a de São Torpes era ainda mais fina. Colava-se à pele quando vínhamos da água. O vento levantava-a e era vê-la nos olhos, nos ouvidos, no nariz, na ponta das unhas. Entranhava-se. Levava-se para casa a memória da praia e tornava-se invisível no chão de madeira clara. Por isso, dias depois, se sentiam ainda pequenos debris de praia quando subíamos as escadas.
a da lagoa era lodosa e húmida – a da lagoa mesmo, não a da costa, que tem conchinhas partidas e conchinhas grandes de que se fazem cinzeiros sinceros nos cafés de praia. As pequeninas decoravam aquele restaurante – como é que se chamava? – que um dia deitaram abaixo e que tinha conchinhas em volta das janelas, como aquela casa de Brescos aonde eu quis sempre morar.
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a das Areias Brancas era a melhor, grossa, soltava-se, deixava-nos, juntava-se entre si, ainda que fizesse, com as humidade do mar da véspera, pequenos croquetes que atirávamos uns aos outros como se fossem bolas de neve. Era uma areia independente dos homens, apesar de deixar colados na pele pequenos cristais como mosaicos de debris no corpo. Não é por fazer jus ao nome, por ser branca, mas durante muitos anos, porque o mar enrolava na areia e ninguém sabia bem o que ele dizia, coleccionava no sopé da duna quilos de piche, assim mesmo, debris de crude, memória de grandes acidentes com grandes petroleiros quando se construía o grande porto.
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A memória da minha infância confunde-se com a das minhas praias. Mas as minhas praias são muito mais do que os seixos partidos desse mar que bate na areia e desmaia: são essas pequenas rochas partidas, conchas que vêm em lascas e as que vêm ainda inteiras, negras-azuis como a casa de um mexilhão, restos de coral que vão, algas secas que vêm, caricas que ficam, paus, cordas do pescador de robalo (cuidado com o fio invisível, e com o anzol) e aquela luva azul que perdi, uma tarde, numa praia de inverno, deserta, como em Miramar (mira, mar), janelas verdes e portadas brancas, ondas ao longe embatendo nas rochas, o vento assobiando nos galhos, o Brecht a correr pelo jardim, a caixa do correio pintada de vermelho (como a tua camisola) e eu de vestido às florinhas. Queria ter passado o resto dos meus dias nessa casa de praia, com os meus óculos de velha e os meus cabelos cada vez mais brancos (o tempo passou tão depressa e nem dei por isso), os meus livros encastelados como claras, empoeirados como pipas de vinho nas adegas, espalhados pelo chão com copos de rum tombados, cortinas brancas de duas laçadas (de um lado e do outro), o candeeiro de pé alto, amarelo, o cadeirão de couro rasgado nos braços, a cama de ferro preto, um dossel de tule comido pelos mosquitos, velas a roer as pontas negras das folhas, eu ainda a
miramar
mira-amar
amar-maria
Balbucio. Perdida a memória de amar, resta essa outra, longínqua, de lenços brancos rasgados que um dia podiam ter sido bandeiras. Não há sobra, escombro, entulho, já não há nada de novo aqui, debaixo do sol. Senão este pássaro do sul (debris) ferido na-i-asa. Bate na areia e desmaia, porque se sente infeliz.
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M. D., Porto, 2 de Janeiro de 2012

quinta-feira, dezembro 29, 2011

#Uma noite no Inferno, um dia no Paraíso….#

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Uma noite no Inferno, um dia no Paraíso….
Mal refeito de uma noite sofrida de pesadelos, o fotógrafo, de bigode franzido, permanece desconfiado das promessas de visita a um lugar idílico, e junta-se ainda pouco disponível aos demais elementos ‘da expedição’, que hão-de levá-lo estrada fora, algures no monte. Entra no automóvel e confessa voluntariamente as diatribes causadas pelo sono, ou melhor, pela ausência dele. Em breve, o dia vai revelar-se perene de surpresas e o semblante tolhido e carregado do portador da câmara vai metamorfosear-se e esboçar sorrisos de contentamento.
Vencidas umas boas duas horas de caminho, é servida a primeira dose de paisagem arrebatadora nas imediações de Drave. Os circunstantes, em ritmo de aproximação descendente à aldeia, aprestam-se a fazer um percurso que mais se assemelha a uma endoscopia às gargantas montanhosas que impedem o olhar de fixar-se noutras direções.
O jipe que nos transportou pelos caminhos sinuosos através da montanha já algum tempo ficou para trás, estacionado no limite autorizado. O trilho é feito a pé, entre paragens para observar um pormenor arbóreo, uma ladeira, um curso de água ou um simples muro. Avista-se Drave e o seu recorte de casario majestoso de xisto, envolto em pequenos prados em declive. O fotógrafo há muito se deixou cativar e quase sempre fica na retaguarda, onde se detém a captar um pormenor da máxima importância, experimentando ângulos e perspetivas, testemunhando claros sinais de carros de bois que outrora venceram a encosta.
Chegados ao local, é difícil divorciarmo-nos dele, agora que calcorreamos todos os carreiros e visitamos as casas, as que caíram e as recuperadas, e Drave com o seu quê de habitável e a mesma porção de abandono, não verga, continua ali, digna, tributária de quem a visita e lhe devolve o esplendor num convite das suas virtudes feito passa-a-palavra. O fotógrafo faz zoom-out e vem carregado: de imagens e satisfação. Sem dormir?! Não é (g)Drave!

João Fernando Arezes

domingo, dezembro 25, 2011

sábado, dezembro 17, 2011

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Um beijinho muito muito grande para ti mãe, gosto muito muito de TI.

Vem
Come to me
O Espírito da Paz

Vem
Além de toda a solidão
Perdi a luz do teu viver
Perdi o horizonte

Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre

Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar

Por isso vem
Porque me quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar

Madredeus

quarta-feira, dezembro 07, 2011

# O FIO DA VIDA #

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O Fio da Vida
Ana Carolina

Já madruguei nos teus braços
Toquei-te a boca num beijo sem fim

Já foste minha nesse sonho que acabou
Já foste a luz que agora o tempo apagou

E se essa luz me afagava
De cada vez que passavas por mim

Agora queima-se o pavio deste amor
Fecha-se a porta pra tentar fugir à dor

É só poeira

Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do somho aonde fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui

Eram os teus lépidos olhos
Que davam corda ao meu coração

Agora encosto-me à saudade de nòs dois
Abro a janela para a luz que vem depois


É só poeira
Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde eu fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui

Rodriguo Leão
A Montanha Mágica

quarta-feira, novembro 30, 2011

#Estamos a Recuperar #

HH_
A memória dos dias felizes havia-se transformado num ponto distante incapaz de ser invocado. E isso era bom. Não queria lembrar os dias felizes - aquele sorriso subtil do chegar a casa, do ter onde chegar. Por isso, a memória esbatida era boa. E a falta de esperanças não era mais do que mais uma falta no meio de tudo o que lhe faltava. A esperança caia-lhe. E, não a tendo, era isso tudo o que tinha. Aquela ponta de força não permanente no meio do nada, no meio do frio e das noites. Permanentes.
Deitou-se ali para que o notassem. Deitou-se ali para que notassem ao menos o letreiro - Estamos a recuperar o património da Baixa. No meio das noites (permanentes) só tinha de rodar a cabeça e ler. Estamos a recuperar... Era como uma força a subir-lhe pelo corpo, como se, por estar ali, pudesse recuperar.
Tinham havido dias normais - do levantar de manhã, do trabalho, do regressar. E agora aquilo - não mais normalidade naquela vida, naquela coisa a que não se atrevia a chamar vida. Naquela coisa. Sentia que não havia já nada a perder e que o património era coisa que não lhe dizia respeito. Mas, à noite, no meio dos sonhos, o letreiro parecia-lhe luminoso - o letreiro era a ponta de força no meio do nada. Já não pedia a mão (e a mão era tudo o que sonhava) nem os olhares não-indiferentes. Sabia que as cidades são como as selvas, onde a luta pela sobrevivência é o que conta no final. Sabia que a selva era a casa dele. Mas se ao menos alguém questionasse: Estamos a recuperar o património da Baixa?
Mariana Correia Pinto