domingo, setembro 19, 2010

# Rentreé... #

Regressaram as inaugurações à Rua de Miguel Bombarda
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sexta-feira, setembro 17, 2010

#PP_SILENCIO_01
Estejam calados, um minuto só, sim?
Deixem-me ficar aqui, encolhida sobre mim. Não, não digam nada, por favor, deixem-me, só. Não me obriguem a explicar o que aconteceu na casa onde deixei o coração porque o que aconteceu não pode ser explicado de modo a que vocês entendam. Conseguem, por uma vez, aceitar sem compreender? Sem precisarem de devassar lugares que ninguém tem o direito sequer de espreitar? Fui eu e foi ele e, sobretudo, não me digam o que sentir. Vou dizer isto devagarinho para garantir que entendem: nenhum-de-vocês-tem-o-direito-de-me-dizer-o-que-sentir.
Silêncio, por favor.
Deixem-me ficar só, neste canto escuro, neste território onde as palavras não contam porque aqueles 3.096 dias simplesmente não têm tradução na linguagem dos que, como vocês, folheiam os calendários sem pisar, sequer em sonhos, a fronteira do bem e do mal. Eu andei por lá e deixem-me que vos diga: é mentira que o ódio liberta. O ódio não liberta, destrói e aprisiona e eu não admito ser refém senão de mim própria.
Portanto, não se transformem vocês nos carrascos que odeiam com regozijo quando os vêem dissecados nas páginas dos jornais e nas imagens dos telejornais, suficientemente longe para não ameaçaram a domesticidade mansa dos vossos dias, suficientemente perto para que lhes espreitem os interstícios da alma entre garfadas de arroz. Pois bem, eu dormi com ele e repito-vos que o ódio não liberta, destrói; e se decidirem entender que o perdão é uma forma de amor, pois bem talvez o tenha amado um bocadinho.
Agora deixem-me, sim? Deixo-vos este livro e fico-me com os meus cactos. Não, não precisam de muita água e, sim, conseguem defender-se com os seus espinhos. Gostam do sol, mas toleram o frio. Basicamente, aceitam o tratamento que lhes dão, mas mantêm-se fiéis a si próprios.
Chamo-me Natascha Kampush, tenho 22 anos, vivi numa cave durante dez, numa reclusão que me transformou nesta espécie de mulher. Fugi. Aprendi a andar de saltos altos. Aceitei a ideia de que o carrasco mais não é do que vítima dos seus próprios demónios e fiquem sabendo que as piores prisões não são as de tijolo e cimento. Ofereci-vos o meu inferno pessoal, agora deixem-me ficar aqui, encolhida sobre os meus cactos.
Silêncio, sim?
Natália Faria Jornalista do Jornal Público

quinta-feira, setembro 16, 2010

# Exposição Prémio Fotojornalismo Estação Imagem/ Mora #

N_sabor007

Estação Imagem Prémio Fotojornalismo 2010 ESTAÇÃO IMAGEM / MORA
Antigos Paços do Concelho, Praça da República - Viana do Castelo
Inauguração dia 17 de Setembro às 21:30
Horário: todos os dias das 10:00 às 20:00
6ª, Sab e Dom também das 21:00 às 24:00

sexta-feira, setembro 10, 2010

# Inauguração da Exposição PRAhA #

“a quem talvez não vejamos mais, ou talvez sim, porque a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginámos silêncios, e súbitos regressos quando pensámos que não voltaríamos a encontrar-nos.”
JOSÉ SARAMAGO
A Viagem do Elefante

“Tal como a música é barulho que faz sentido e um quadro é a cor que faz sentido, também uma história é vida que faz sentido.”
YANN MARTEL
Beatriz e Virgílio

São as minhas viagens, num percurso perdido pelas cidades, a minha procura por uma história vivida num certo momento, os silêncios, os olhares, as conquistas, e as despedidas, tudo se resume ao tempo, à memória a um simples adeus. Talvez um dia volte a procurar a Irina.
#PP_PRAHA_01
#PP_PRAHA_004
#PP_PRAHA_03
#PP_PRAHA_02
Colorfoto Galeria
Inauguração 10 Setembro pelas 17h estará até 15 Outubro
Então o horário da exposição é o seguinte: 2ª a 6ª das 14h30 às 19h00, sáb. das 09h30 às 13h00
Rua Sá da Bandeira,526
Porto

domingo, setembro 05, 2010

segunda-feira, agosto 30, 2010

#Meu Querido MÊS de Agosto#

Vista do estádio Dragão, VCI 18H
#pp_p1

#pp_p2
Vista da Av.da Boavista 19.30

É a Estúpidez.
Só hoje mais 200 fogos..

quarta-feira, agosto 18, 2010

sábado, agosto 14, 2010

Crise - Mudam-se os temp(l)os, multiplicam-se os ícones...

A iconografia religiosa sempre suscitou mistérios ao homem, dito de outra forma, espelhou esses mistérios, paradoxalmente sem os desvendar. Para um ‘católico não praticante’, ou melhor, para dois, o agente do texto e o das imagens, com o que essa condição possa consubstanciar, a denominação põe-se mesmo a jeito para a analogia com o desporto, traduz-se portanto em algo como não ir aos treinos e não ser convocado para os jogos, mas continuar a acreditar na equipa. A proliferação das imagens de Nossa Senhora de Fátima nos mais diversos lugares encerra o devoto desejo da resolução dos problemas, um depósito a crédito bonificado na renovação da esperança perdida. Tratar-se-á de um inequívoco negócio a venda das imagens da virgem de nome árabe? Sem dúvida. É verdade que na actualidade a Fé move a Finança, mas o que são hoje, à laia de exemplo, as imagens de Che Guevara em oferta desbaratada, senão a mais terrível das contradições: a de um mito revolucionário, cuja luta anti-capitalista o universalizou, e que agora o tornou num dos símbolos de maior facturação tendo por base um ícone?

Teriam ‘Che’, o Profeta, ou Cristo, o Revolucionário (sim, é mesmo assim, sem direito a vice-versa) de acabar estampados em t-shirts?! Teria Nossa Senhora de Fátima querido o milagre da multiplicação das imagens? E quem nos garante a nós, supostamente os mais cultos e informados, que uma imagem-objecto, um artefacto da Mãe de Jesus, em regime mais fluorescente ou mais opaco, não é o melhor dos elixires psicológicos em tempo de crise para quem nisso acredita? De ópio não percebo nada, mas gosto de um bom tónico.
João Fernando Arezes
Fotos:Paulo Pimenta
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#PP_JOANA_4 120310

quarta-feira, agosto 11, 2010

#Compreender tudo #

“É a linguagem que nos torna humanos, que nos distingue dos animais, por um lado, e das máquinas, por outro, que faz de nós seres com cosciência própria, capazes de criar obras de arte, ciência e o todo da civização.É a chave que nos permite compreender tudo”
David Lodge
A vida em surdina
#PP_LUZ_SOMBRA

sexta-feira, julho 09, 2010

# Comer Lixo #

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#PP_BATALHA_08
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Pára! Põe a máquina dos sentidos. Engrena-a. Liga-a. Upload. Ouves o chiar intermitente que passa na avenida? As mãos dele agarradas ao ferro quente da carroça rola-asfalto, já com quilos de papelão à luz do pôr-do-sol? Vês aqueles músculos invejáveis do dorso nu, queimado de poluição, raios UV, e tempo? Costuma molhar esses caixotes amassados para ganhar mais dinheiro, quando o vende para reciclar. Ficam mais pesados, nunca tanto quanto os seus olhos olheirentos, sulcados de noites em vigília de fome e medo. Quantos quilos de arroz pode pagar um quilo de papelão?
E, agora, sentes este cheiro azedo a esgoto? Vês os pés descalços que mal começaram a calejar vida já esfoliados dos passeios onde comem o que lhes dão? (Se lhes dão. Será que querem? Haverá vergonha? Qual é a intensidade da vergonha do despojamento forçado?, conta-me máquina).
Próximo nível: vejo bidões de fragmentos de nós. Quanto pesa a ostenção? Vejo eco-pontos do que resta. Gente sempre apressada, a rotação-formiga. Restos, só restos. Vês a explosão, as cores garridas, a sofreguidão, a vertigem, o ar-falta-ar, os ponteiros e rotação, a terra em transe? Arde-arde. O desvario. Há restos, tantos restos. Fragmentos de nós. O cheiro, a cidade, o ar. Os pedaços de nós. Delete: erro no sistema. Informamos que atingiu a dimensão do real. Este nível não pode apagar.
Vanessa Rodrigues

Inauguração Exposição

Abertura da exposição de fotografia e lançamento do catálogo das reportagens vencedoras do Prémio de Fotojornalismo 2010 Estação Imagem / Mora
Dia 10 Julho , pelas 16h30, no Pavilhão Municipal de Exposição de Mora

#PP_LINHA_SABOR_04
#PP_LINHA_SABOR_01

Paulo Pimenta
Ricardo Meireles
Nelson Garrido
João Carvalho Pina
Nacho Doce
Nelson D`Aires
Guillaume Pazat
Nuno André Ferreira
Gonçalo Rosa da Silva
Jorge Monteiro

domingo, junho 20, 2010

# " No dia seguinte ninguém morreu " #

OBRIGADO JOSÉ SARAMAGO

PP_SARAMAGO
“Ele adormeceu, ela não.Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se tivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha , acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira , ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir.Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama , abraçou-se ao homeme , sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia , sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”
JOSÉ SARAMAGO
As Intermitências da Morte
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"O erro é crer que a culpa terá de ser entendida da mesma maneira por deus e pelos homens, disse um dos anjos,"
JOSÉ SARAMAGO
CAIM