quarta-feira, abril 09, 2014

domingo, abril 06, 2014

quarta-feira, março 26, 2014

segunda-feira, março 24, 2014

# Olha #

 "Olha para nós agora. O problema já não é sequer andar cada um a lutar para o seu lado .O problema é a quantidade de pessoas que já não lutam sequer."
David Machado
Índice Médio de Felicidade

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domingo, fevereiro 23, 2014

# Ir à Ribeira com a Luisita #

Influenciado pelo suplemento Fugas, do Jornal Público, decidi quebrar a rotina da Luisita e fui com ela à Ribeira.
Foi uma tarde Mágica.
Foi GRANDE 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15

domingo, fevereiro 16, 2014

# Dia de Sol com previsão de chuva #

E  a Luisita , minha irmã esteve comigo

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E assim chegou ao fim o meu Domingo .

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

#Para aqueles que acreditam neste dia de S.Valentim#

Dia_01 dia_02 dia_03

 Que palavra é essa que não nos sai da boca e inferniza o corpo? Deve ser ela, só pode ser ela. Mas, sabes, não vou dizê-la. Queres que a diga, bem sei…que a rasgue como toda a gente; que faça dela copas, trunfo, amnistia de hoje para desculpar o banal, só porque é bonito e esperam que ao menos fale dela. Eu queria, mas esta mordaça, esta venda de seda para que não distinga. Ela intui-se, não existe fora de nós, tudo o mais será matéria do capital.
 Não vou dizê-la, o corpóreo não está preparado para ela. Não é complicado, não penses que é confuso e que me enredo em teias de retórica para me perder. É só porque é complicado, coisas que se vão perdendo com as passadas, pé-ante-pé, embora, às vezes, voemos. É como aquela vida que ficou para trás e da qual não nos desligamos; e já não existe. Existir pode não ser. Ela é outra, ele também. As vidas que foram, jamais são, mas é delas que nos lembramos. Estranha essa quase-incapacidade de curar o que passou. Sim, alguns de nós, mas é obnóxio, essa condição de não se poder ficar junto. Perder vidas, porque não sabemos em que momento nos perdemos, ou nos encontramos e desviamos.
Eu talvez saiba. Foi naquele dia não foi? Madrugada depois do cheiro a velas porque a luz falhou. O silêncio de rua, no tempo avançado da noite, tempo de vidas estagnadas. Dei por mim a olhar-te e a tocar-te com os olhos. Cada poro, cada textura, atlas imenso do teu corpo deitado, como quem aprende a andar. Há corpos que parece que aprendemos a andar de novo, ou é a vida que ganha um novo dicionário. "É toda uma geografia incógnita ao toque, tão, hum..., como dizer?" vislumbre de um tesouro que nos cai nas mãos inesperadamente. Senti-te como quem enterra as mãos na terra para cheirar petricor. É a chuva, forma que o céu tem de lamber a vida que há em nós. Gotas de beijos leves, diáfanas mordidas temporais, coisas fofas da natureza. Quem inventou as palavras e as coisas deveria saber que há calafrios que arrebatam cá dentro e que não se podem explicar, que não têm matéria que se entenda; que o invisível do pensamento não se costura num manto só. Não se costura, embora se enterrem as agulhas.
Ainda sinto o bafo quente da noite, a nuvem que saía da boca. Eu soprava nestes dias e ficava toda aquela névoa, fugazes segundos, porque o frio comia-a numa inveja materializada. É como as sombras dos galhos das árvores, afagos nas paredes das coisas que os homens são. É como a tinta estalada das portas, envelhecidas pelo ciclo dos ventos, dos verões, da luz esmaecida das tardes de outono, dos humores das estações, às vezes geremias, é só o vento. Quis guardar-te. Cravar na memória a forma como te percorri, no pensamento, na noite, no dia, na tarde. E a imagem que retive foi a tinta estalada da porta onde encostamos a cabeça porque estávamos cansados. O beijo foi longo, não sei bem o que era aquilo, mas era isso.
 Eu sei, nunca mais nos vimos, ouvimos, sentimos, mas sei que nos pensamos. Ou ainda nos pensamos. Ainda existimos mas sem existir para um e outro; ainda procuramos a palavra, a semente livre que produz as sombras que beijam as coisas dos homens. Sim, procuramos, as palavras para dizer as coisas que não existem no mundo do corpo, apenas cá dentro, e chegamos a querer dizer, até percebermos que tudo não passa de um bafo quente e que o vidro apenas nos protege dos beijos que a chuva há-de dar, em tardes de estações enraivecidas, de ondas de mar gigantes, haverá ondas de mar gigantes? Deve ser isso o sublime, ou aquela palavra que não nos sai da boca.  
Vanessa Ribeiro Rodrigues