No pátio dos antigos inquisidores, as placas pedem desculpa por há 500 anos, e aqueles que estão vivos agora sentam-se a olhar para nada e ninguém os vê. Africanos no pátio, nas escadas de pedra, nas escadas rolantes, no banco de metro com um cartaz por cima a dizer Soul. Muçulmanos de barretinho e túnica que à sexta se curvam em vãos-de-escada ali para trás, Rua de São José, Martim Moniz, Mouraria. E na colina o castelo de mentira, com as suas bandeiras mata-mouros, tão airoso. E cá em baixo o triunfo da banca, a hipoteca, a bancarrota, nós mesmos, com pedrinhas de calçada, calçadinha, e bancos de pedra design. Que alguém durma, pelo menos. Venha o sono e acordemos noutro lugar.
Ruínas e portas entaipadas, braços fechados a quem chega. Mas não nos lembramos de quem somos, não nos lembramos de quando partimos, Paris, Newark, Caracas, o mundo?
Um gato ao sol, afortunado, seja.
Alexandra Lucas Coelho jornalista do Jornal Público




Um comentário:
Grandes imagens! :D
http://paranoiasnfm.wordpress.com/
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